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Carppio de Morais
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A importância do vazio Criar meios para desenhar ou esculpir no espaço uma inspirada idéia de vazio. Creio ser esta a intenção do artista plástico Carppio de Morais. Os objetos que o artista produz envolvem docilmente o espaço e apostam numa confecção do vazio interior. Inicialmente desenhados e estruturados escultoricamente com tramas de aramados, Carppio de Morais tece um processo criativo no qual experimenta a construção com linhas tridimensionais. Nestas tentativas o artista estabelece um pacto de seus elementos plásticos com a multidimensão espacial, com a qual mantém um diálogo formal de ricos desdobramentos estéticos. As tramas aramadas revestidas de papel machê, dão uma clara impressão da tentativa do artista de entrelaçar pequenos mundos escultórico-textuais com as linhas complexas, que penetram num campo abstrato da memória com palavras desconexas, já que o papel machê reveste e dá o corpo aos seus desenhos esculturais, acrescidos de palavras. Nestas composições as tramas dos casulos passam a transmutar-se numa proposta gráfica desconexa, mas aferem aos sentidos algo além de um jogo formalista. Elas introduzem às obras o algo a mais, que vai além do simplesmente formal, para convalidar, conceituar e insinuar uma leitura menos elementar desde casulos criados, menos para preencher espaços espaços e mais para abrigar o vazio. Na conjunção entre forma e conteúdo, as composições de Carppio de Morais apresentam-se como uma saída criada pelo artista para potencializar a sua experiência, numa alternativa que propõe uma obra composta por uma semântica mais elaborada, que também transita na confluência entre a forma e o texto, elementos que desta maneira ungidos numa mesma embalagem possibilitam outras leituras, com várias possibilidades. Quando o artista incorpora palavras às suas construções espaciais, cria uma intertextualidade e um meio de linguagem, com um sistema de reproduções que nunca se repetem, pois todas as formas obtidas neste processo são, entre si, sempre diferentes. Percebe-se na mobilidade dos casulos, instalados no ambiente como móbiles, que as suas formas tridimensionais projetam sombras bidimensionais, então, a linguagem do desenho aparece e associa-se à da escultura num partido interrelacional. Percebe-se ainda no jogo da arte com a multidimensionalidade espacial certo acordo poético, que traz ao campo do visível o espaço intersemiótico, com a evidência das situações de trânsito pré-existentes dna obra de Carppio de Morais. Wagner Barja, março de 2010
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